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We Are The Fallen - Tear The World Down (2010)

  • Foto do escritor: Bruno Fernandes
    Bruno Fernandes
  • 16 de fev. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 21 de fev. de 2020

No começo da década passada, o rock feminino estava passando por uma verdadeira crise: artística e comercial. Nos anos 2000, a cena do gothic metal/symphonic metal finalmente chegava ao mainstream (o gênero já estava em gestação desde os anos 90), graças a bandas como Within Temptation, Nightwish, Epica, Lacuna Coil e Evanescence, e ainda havia bandas atreladas ao punk ou poppunk, como Flyleaf e Paramore. O fato é que havia um movimento bem definido acontecendo, e isso favorecia tanto as bandas maiores como abria espaço para novos grupos. Mas abruptamente, o movimento acabou por sofrer uma pausa quase que inexplicável, mas que provavelmente tem algo a ver com a ascenção do EDM. E é nesse cenário que o We Are The Fallen surge.


A banda é constituída por três ex-membros do Evanescence, Ben Moody (co-fundador), John LeCompt e David Gray, o ex Static-X, Marty O'Brien e a ex participante da sétima edição do American Idol, Carly Smithson. Surgiu em meados de 2008 e 2009, quando os três ex-membros do Evanescence queriam retornar à grande indústria, com uma nova banda de Gothic Metal, e coincidentemente viram alguns vídeo de Carly Smithson apresentando um dos hits do Evanescence, "Bring Me To Life"no American Idol e pronto, sabiam ter encontrado a vocalista perfeita para o novo projeto. Após assinar um contrato com a Universal Music, o disco foi produzido pelos próprio membros da banda, com o auxilio do produtor Don Certa.


Apesar de ter sua sonoridade essencialmente de um disco de gothic metal, o álbum é extremamente consistente e sólido, e ao invés de soar uma cópia ou ripoff de outras bandas do movimento, apesar de algumas pífias comparações, a banda apresenta um material com forte identidade e letras bem elaboradas. Sua faixa inaugural, e primeiro e único single efetivo do disco, "Bury Me Alive", além de ter uma das introduções mais cativantes de todas, nos dá cerca de 1 minuto de encerramento orquestral em sua finalização, dando tom ao disco. A letra discorre sobre relacionamentos abusivos, onde um dos integrantes se anula em prol do ser a qual busca aprovação, e o quão devastador é essa atitude.


A segunda música do disco, "Burn", poderia facilmente integrar qualquer disco do Judas Priest ou Iron Maiden, devido a sua urgência e tonalidade sombria, mas, curiosamente, é uma faixa que fala sobre paixão. "Paradigm" e "Don't Leave Me Behind" falam sobre decisões difíceis e suas consequências, e soam, de certa forma como faixas que se complementam entre si. Um dos grandes trunfos do disco são suas power ballads, que lembrar bastante a fase de ouro dos anos 70 e 80, com épicas canções de rock romântico de artistas como Bryan Adams e Aerosmith, como em "Sleep Well, My Angel", "I Will Stay" e notavelmente em "I Am Only One". As faixas mais pesadas e soturnas do disco (além das já mencionadas Burn e Bury Me Alive) acabam por ser "Through Hell", "St. John" e "Samhain", ambas discorrendo sobre temas como saúde mental e lutas internas. Um destaque importante do disco, a faixa "Without You" mostra que a banda também têm um lado mais pop, que bode vir a render bons frutos no futuro, bem como o incrível cover de "Like APrayer", de Madonna, que ganha nova vida na voz de Carly Smithson. A faixa que conclui e dá nome ao disco, "Tear The World Down", com seus mais de 6 minutos, entre experimentações com camadas\instrumentação clássica, e seu refrão arrebatador, é facilmente uma das canções de metal mais bem elaboradas dos últimos tempos.


Apesar de o disco em si não ter sido um sucesso comercial monstruoso, até mesmo pela fase de transição que o mercado passava, a banda foi aclamada pela crítica e passou a lotar cada show que fez, gerando grande expectativa quando ao segundo disco e gerando uma aura ao redor da banda.


É no mínimo curioso imaginar como a banda se sairia, caso tivesse continuado. Infelizmente, após seu disco de estreia, a banda lançou somente um registro ao vivo e embora nunca tenha oficialmente se desfeito, jamais tornou a lançar músicas. A banda, extremamente competente, poderia facilmente integrar a nova onda de mulheres no metal, composta por bandas como Halestorm, The Pretty Reckless e In This Moment, e ter entregado discos ainda mais célebres. Mas independente de qualquer coisa, fica o legado de terem lançado um dos melhores e mais brilhantes discos de metal da década.


OUÇA: Bury Me Alive, Without You e St. John.


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