The Lumineers - Cleopatra (2016)
- Bruno Fernandes

- 13 de jan. de 2021
- 4 min de leitura
Uma agradável surpresa. Neste ponto da carreira, nada poderia descrever melhor o material apresentado pela banda americana The Lumineers. Seu primeiro disco de estúdio (auto-intitulado), lançado em 2012, chegou ao #2 lugar na Billboard Hot 200 e lhes rendeu mais de 2 milhões de cópias vendidas mundialmente, uma turnê extremamente bem sucedida e dois hits mainstream "Ho Hey" (#3 no USA) e "Stubborn Love" (#70 no USA).
Restava a dúvida: será que a banda será capaz de se manter ou será apenas mais uma OneAlbumWonder?

A banda, formada por Wesley Schultz (voz e guitarra), Jeremaiah Fraites (bateria, percussão e piano) e Neyla Pekarek (Cello) convidaram o produtor Indie Simone Felice, que ajudou a banda a apresentar esse som maduro e direto que configuraria essa nova representação da banda. A capa, um show a parte, é uma fotografia da Atriz Theda Vara.
O disco se inicia com "Sleep On The Floor" (escolhida como 4° singles do disco). Com vocais bem viscerais e uma guitarra bem firme, a letra discorre sobre pequenas ansiedades e "apocalipses" diários que as pessoas enfrentam, em versos comoventes como:
"And when we looked outside, couldn't even see the sky
How do you pay the rent, is it your parents
Or is it hard work dear, holding the atmosphere?
I don't wanna live like that"
Logo após, entra "Ophelia", lançada como primeiro singles do disco (atingiu 66° na Billboard Hot 100). Com uma bateria bem marcante, palmas e um piano viciante, em seus 2:40 de duração a musica consegue efetivamente cativar o ouvinte, enquanto canta sobre um amor perdido da sua juventude
"Honey, I love you That's all she wrote
Oh, Ophelia You've been on my mind, girl, like a drug Oh, Ophelia Heaven help the fool who falls in love"
E essa sensação de nostalgia perdura através de "Cleopatra", faixa que dá título ao disco (e segundo singles oficial), porém, amplificada pelas habilidades de storytelling de Schultz e Fraites. A música é interpretada através das lentes de uma atriz envelhecida, se recordando de coisas emocionantes que viveu bem como de amores e chances perdidas, que ressoam em frases como essas:
"And I left the footprints, the mud stained on the carpet
And it hardened like my heart did when you left town
But I must admit it, that I would marry you in an instant
Damn your wife, I'd be your mistress just to have you around
But I was late for this, late for that, late for the love of my life And when I die alone, when I die alone, when I die I'll be on time"
A quarta música, "Gun Song" é uma canção com leves traços de country, mas com um teor mais sutil que outras faixas do disco, e aposta em um tôm romântico e otimista. Logo após, "Angela" (terceiro singles do disco) entra em cena, com uma sonoridade mais calorosa, a letra fala sobre a coragem de deixar pra trás coisas amadas para conseguir alcançar objetivos pessoais ou de força maior.
Então, a simples, porém elegante "In The Light" começa. Uma música que te ganha pelos versos dóceis e o piano irrecusávelmente delicioso. A letra fala sobre não se apegar demais ao passado e como isso pode ser prejudicial.
"Time, give me my yesterdays Save it for all you had in your eyes, I have gone away
Fate Dealt you a tricky hand Now you're just left alone in your mind And I have gone away"
A sétima música é a crua e selvagem "Gale Song", onde Schultz entrega uma de suas mais impressoras performances vocais. Sem se apegar a um grande refrão, a faixa cresce com auxílio da percussão de Fraites. Sua letra discorre sobre a passagem da vida, como uma viagem solitária.
"It's a lonely road, full of tired men
And you can see it in their faces
And you'll be home in spring
I can wait 'til then
I heard you're on the big train"
A próxima faixa é "Long Way From Home". Talvez a música mais simples do disco, ponderando sobre a velhice, com versos ácidos e irônicos, no melhor estilo Bob Dylan. Em seguida, a vulnerável "Sick In The Head", contando apenas com um violão, Fala sobre como a reputação pode ser obscurecida pela percepção de outras pessoas e como isso afeta profundamente a existência de uma pessoa. Logo após, a instumental "Patience" prepara o caminho para "Where The Skyes Are Blue". Essa última, se encaixaria perfeitamente em qualquer disco da Cat Power, e talvez seja a faixa mais ensolarada do álbum inteiro.
As faixas bônus do disco, "Everyone Requires A Plano" e "White Lie" apostam em uma abordagem mais minimalista e aberta, que captam as emoções do ouvinte. Grande mérito da entrega na interpretação do vocalista.
Em termos comerciais o disco se saiu bem, atingindo #! tanto no USA quanto no UK e diversos outros paises. Entretanto, o disco não conseguiu repetir o número de venda. Apesar disso, manteve a aclamação por parte da crítica.
Cleopatra marca uma transição da banda, de uma "sensação" na nova febre do folk, ao lado de grupos como Mumford and Sons, para uma banda mais madura e focada, que sabe fazer suas qualidades brilharem. Com riqueza de detalhes em suas letras e ornamentações, O disco oferece uma ótima companhia para dias chuvosos e ouvidos atentos.



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