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Royal Blood - How Did We Get So Dark? (2017)

  • Foto do escritor: Bruno Fernandes
    Bruno Fernandes
  • 30 de jan. de 2021
  • 3 min de leitura

O segundo album de qualquer artista geralmente é uma verdadeira montanha russa de emoções e expectativas, ainda mais se ele foi precedido por um grande sucesso, de crítica e/ou público e não raramente coloca em cheque a longevidade de sua carreira. E nesse caso, a banda britânica Royal Blood, tem verdadeiros motivos pra se preocupar.


"How Did We Get So Dark?" viu a banda abandonar um som mais crú e garageiro, por uma produção um pouco mais sofisticada às mãos de Jolyon Thomas e Tom Dalgety, e o resultado é, por vezes recompensador, por vezes fustigante.



O disco abre em altíssimo estilo com a faixa título (quarto single do disco), com a bateria e baixo crescendo pegajosamente até explodir num refrão que equilibra linhas vocais suaves e um ritmo agressivo. E logo após a ponte, adicionaram em looping a frase "how did we get so dark" numa fading viciante, com a linha vocal na melhor versão de Bee Gees. Uma fantástica adição ao repertório da banda.



Logo após, começa 'Lights Out', segundo single do disco e talvez a música que melhor representa a nova roupagem adotada pela banda. A influência de bandas como Queens of the Stone Age ficam bem visíveis com os grooves musculares que a música apresenta. Pesada, sensual e extremamente viciante, a música fez considerável sucesso nas rádios de rock/metal da europa e USA.


'Only Lie When I Love You' talvez seja a melhor remanescente do som original da banda. Em menos de 3 minutos a música dá seu recado sem rodeios. As influências de Sex Pistols e Jack White estão vivas e vão muito bem por sinal. Escolhida como terceiro single do disco, a faixa repetiu o sucesso de 'Lights Out' e dominou o mercado de rock durante o ano de 2017.




'She's Creeping' é outra faixa viciante do disco, e até hoje não consigo entender como essa música não foi lançada como single. Desde o primeiro riff, é um hit instantâneo e seu refrão é matador! Pode ser considerada a 'Blood Hands' do disco, porém mais sensual e leve.

Em 'Look Like You Know', temos a banda experimentando com uma espécie de glam rock, mas executada através das lentes de Ben Tatcher e Mike Kerr. A produção complementar fez um grande favor a música, por adicionar mais nuances na execução da música.




'Where Are You Now?' foi a primeira amostra que tivemos do disco, sendo lançada originalmente como parte da trilha sonora da séria Vinyl, a faixa mostra a banda com bastante da sonoridade dos anos 70 e uma produção moderna. Perfeita para apresentações ao vivo, a faixa é mais uma excelente adição para o repertório da banda. Outra faixa brilhante é 'Hooker, Line & Sinker', apresentada ao vivo em algumas das apresentações da banda antes do lançamento oficial, é uma verdadeira pedrada, e certamente agradará quem sentiu falta da verve mais pesada da banda.




Daí em diante, parece que a banda atingiu uma parede: 'Don't Tell' e 'Hole In You Heart' vêem o Royal Blood tentando desenvolver suas primeiras baladas ou "semi baladas", mas sem grandes avanços. Talvez, as músicas soem como contraponto ao ritmo acelerado das predecessoras, mas sem a mesma empolgação. A impressão que elas passam é que elas tentam e tentam, mas nunca decolam efetivamente. Em 'Blood Hands', do disco anterior, a banda havia conseguido conduzir uma música lenta numa finalização exímia, fantástica, mas aqui, por algum motivo as músicas parecem tropeçar muitas vezes. Ver a banda tentando produzir algo nos moldes de grupos como Eagles ou America talvez seja interessante, mas nesse momento, a banda ainda não conseguiu chegar lá.


Em 'Sleep', faixa que encerra do album, a banda retoma o fôlego com uma de suas músicas mais "straight forward", com uma atitude imponente e cheia de soul, ela encapsula bem a ideia da nova forma adotada pela banda, bem mais aberta a estilizações e experimentos.




No fim das contas, é um disco competente e que deve manter a fãbase da banda integrada, mas que não replica a glória do disco de estreia. Talvez, a banda ainda não tenha encontrado um ponto de equilibrio entre a sofisticação e a agressividade, mas resta torcer para que isso aconteça no futuro. É bem provável que esse álbum tenha servido como uma transição para futuras mudanças na sonoridade da banda, e sendo assim, resta aguardar o terceiro disco e ver para qual rumo o Royal Blood avança.

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