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Nelly Furtado - The Spirit Indestructible (2012)

  • Foto do escritor: Bruno Fernandes
    Bruno Fernandes
  • 23 de fev. de 2020
  • 3 min de leitura

Nelly Furtado faz parte de uma lista seleta de artistas da década passada que faz, essencialmente pop, mas sem nunca deixar de prezar pela autenticidade, integridade artística e experimentalismo, e em seu primeiro lançamento nos anos 2010's ela provou mais uma vez ser uma artista de peso. Lançado três anos após Mi Plan (2009), seu primeiro álbum totalmente em espanhol, o quinto disco de estúdio da cantora canadense deixa de lado a sonoridade folk/pop do álbum anterior e envereda numa roupagem mais urban e experimental. Mas apesar disso nos trazer imediatamente o disco Loose (2007) à mente, Nelly foge de fórmulas pré-concebidas e aposta alto.

A primeira música do disco, a faixa-título, é influenciada pela sonoridade do funk brasileiro (sim, você leu isso) e têm como tema principal o poder da mente humana em face à adversidades, bem como o impeto de vencer desafios. Brilhante junção, para dizer o mínimo. Em seguida, "Big Hoops", estruturada numa batida urban bem "fly", nos entrega faixa mais pop e acessível do disco, com uma temática basicamente sobre festas. A terceira música, "High Life", em participação com Ace Primo, fala justamente sobre como a fama pode afetar a vida e a personalidade de muitas pessoas, e é notável como a influência de Alanis Morissette reverbera na escrita. A progressão dos acordes é bem peculiar, e os samples de chicote através da música causam certo estranhamento no começo, mas é uma faixa que vai crescendo a cada audição. A faixa seguinte, "Parking Lot", é uma das mais interessantes; montada sobre uma programação de bateria bem assinalada e uma semelhança com hiphop, a faixa inadvertidamente acena pra uma uma influência hawaiana no refrão e têm uma das quebras de ritmo mais agradáveis de toda, se tornando quase uma new wave/motown no final.


A quinta faixa do disco, "Something", em participação com o rapper Nas, soa como um tema um pouco mais sexy para James Bond, mas é uma das músicas mais agradáveis do disco. Então, chegamos a faixa "Bucket List", um pop/folk romântico e simples, que lembra a fase dos discos Whoa, Nelly(2000) e Folklore (2003), e mostra Nelly em sua melhor forma. A música seguinte, "The Most Beautiful Thing", é uma grower. Em sua essência, é uma música romântica, mas ao invés de usar uma linha vocal mais easy listening ou clichê, a cantora apostou no trip-hop experimental de artistas como The XX. Outra canção brilhante do disco é "Waiting For The Night", que acena para influências de eurodance, música francesa e lusitana, e têm uma das pontes mais cativantes de todas, com direito a palmas e influência flamenca. Duas músicas interessantíssimas do disco são "Miracles" e "Believers", ambas com temáticas espirituais. O disco ainda abre espaço para o synthpop de "Circles", que lembra músicas de artistas como MGMT e para o pop/rock de "Enemy". Semelhante à Loose (2007), o disco é cheio de pequenas interludes, diálogos e outros.


Apesar de não ter sido o sucesso arrebatador de críticas e público na época de seu laçamento, The Spirit Indestructible é sem dúvidas um dos discos mais interessantes da década passada, e serviu como um lembrete do quão boa Nelly Furtado é como cantora e compositora, e que a mesma é mais do que um "nome de peso", mas uma artista de peso, uma força a ser reconhecida dentro do cenário pop.


OUÇA: Spirit Indestructible, Big Hoops, Waiting For The Night e Bucket List




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