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Lily Allen - Sheezus (2014)

  • Foto do escritor: Bruno Fernandes
    Bruno Fernandes
  • 1 de fev. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 1 de fev. de 2020

A transição entre uma década e outra é sempre um momento muito delicado e decisivo para a carreira de qualquer artista, e um caso bem interessante é o da cantora britânica Lily Allen. Nos anos 2000, mais precisamente a partir do ano 2006, a cantora se estabeleceu como um dos nomes mais proeminentes do cenário, não só pela sua grande quantidade de hits (Smile, The Fear, F*ck You, Not Fair, LDN, 22, etc..), mas por ter integrado, em dois momentos diferentes, um movimento de empoderamento feminino no cenário, primeiro na onda de cantoras inspiradas por trabalho vintage, junto com nomes como Joss Stone e Amy Winehouse, quanto em 2009, considerado o grande ano das mulheres na indústria, com nomes como Feist, Lady Gaga, Florence Welch e inúmeras outras atingindo um auge de sucesso sem precedentes. O grande diferencial de Allen, sempre foi sua personalidade forte, direta e debochada, transliterada com total transparência em sua música. E esse é um grande ponto de virada nos acontecimentos.

Um intervalo de 5 anos entre seu último disco (It's Not Me, It's You - 2009) e seu retorno ao mercado com Sheezus (2014) foi o suficiente para provocar uma mudança significativa na indústria. Por um lado, os fãs e observadores, ansiosos para ver o próximo capítulo da carreira de Allen, e por outro, havia uma enxurrada de novos artistas competindo pelo spotlight. Embora a personalidade forte da cantora a tenha feito amada nos anos 2000, aparentemente é algo que incomodou muito as pessoas que não estavam acostumadas com seu estilo, e acabou gerando um estranhamento de público. O disco em si, teve sucesso moderado, emplacando os hits Hard Out Here (#9 no UK), Air Ballon (#7 no UK) e o cover da banda Keane, Somewhere Only We Know (#1 no UK). .


Mas apesar de toda polêmica envolvendo o disco, é fácil dizer que é não apenas um dos melhores discos da carreira de Allen, mas um dos melhores e mais bem construídos discos pop dos anos 2010's.

A faixa de abertura e título do disco, Sheezus, é uma slowbuilder, narrando os pensamentos de Lily quanto ao seu retorno ao mercado e destacando a eterna competição que indústria tenta incitar entre as mulheres, citando nominalmente artistas como Lady Gaga, Katy Perry, Beyoncé, Rihanna e Lorde. É somente profético pensar em frase como "não posso simplesmente voltar de volta do microfone e fazer a mesma coisa" ou "me deseje sorte, vou precisar, te vejo do outro lado se ainda estiver respirando". Dá pra ouvir a influência de Pet Shop Boys em L8 CMMR, faixa em homenagem ao marido, e a terceira faixa, Air Ballon, é uma pop perfection diferente de tudo que já ouvimos de Allen. Já Our Time, lembra bastante os trabalhos da Alanis Morissette nos anos 90, mas claro, com uma visão totalmente moderna. A cantora flerta com o R&B em faixas como Close Your Eyes e Insincerely Yours.


Em Take My Place, a cantora fala sobre um aborto espontâneo que sofreu, e é uma das baladas mais comoventes de sua carreira. Em As Long AS I Got You, Allen faz uma nova homenagem ao seu marido. Em Life For Me ela fala da simplicidade da vida e da alegria em coisa pequenas, como sua família. Na faixa URL Badman a cantora faz uma crítica aos trolls e a toxicidade da internet dos dias atuais, onde as pessoas se sentem corajosas o suficiente para despejar todas as atrocidades possíveis, com o pensamento de que não há retaliação. Silver Spoon é uma faixa que flerta com um beat de hip hop, mas se encaixa totalmente com o contexto do disco. O cover de Somewhere Only We Know do Keane acaba por sendo uma faixa super bem vinda, destacando a habilidade de Allen de se apropriar de uma faixa e ser uma excelente interprete. E eu quis reservar por último para falar sobre Hard Out Here. A faixa é uma resposta a toda hipersexualização da mídia no ano específico de 2014, em decorrência da controversa performance de Miley Cyrus e Robin Thicke no VMA e ao clipe de Blurred Lines, do Robin Thicke em parceria com Pharrell Williams e T.I. A faixa é um backlash a altura de toda a objetificação feminina e ajudou a reintroduzir Lily no mercado.


Em suma, ao invés de voltar com uma cópia das sonoridades passadas, como o SKA Pop de Alright Still e o pop saudosista easy way de It's Not Me, It's You, ela voltou com um disco carregado de pop moderno, flertes com R&B, power ballads, e faixas experimentais, de longe, o disco com mais variedade de sua carreira, provando que, oposta a simplesmente reciclar ideias, continua sendo uma das mais interessantes popstars de sua geração.


Ouça: Hard Out Here, URL Badman e Sheezus




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