Katy Perry - Prism (2013)
- Bruno Fernandes

- 21 de fev. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 23 de fev. de 2020
Prism é o melhor e mais consistente disco da carreira de Katy Perry, até o presente momento. Compreendo completamente que essa é uma afirmação inusitada, mas ao analisar o contexto e a carreira da própria, há bons motivo para arrazoar isso. Dando continuidade a sua sequência de hits, Win-And-Win, iniciada em 2008 com seu disco de estréia One Of The Boys (Que contém seu primeiro hit número um) e seu segundo álbum, Teenage Dream (Famoso por ter colocado 6 músicas em #1 lugar na Billboard Hot 100), o disco foi um sucesso absoluto, e lhe rendeu mais dois hits. Mas, ao invés de se ater ao currículo comercial do album, quando analisamos a consistência do mesmo, sua importância se revela.

A ideia original era que o disco fosse um tanto mais sombrio ou acústico, devido ao estado depressivo em que Katy se encontrava após o fim de seu casamento com o comediante Russel Brand, mas no meio do caminho a ideia mudou, e ao invés de simplesmente ceder a escuridão, Katy permitiu que a luz entrasse e criou um disco marcado por positividade e amor próprio, e claro, completamente acessível e palatável. A cantora adotou o simbolismo de um Prisma para representar esse período da vida.
A faixa de abertura do disco, o mega hit "Roar" (#1 na Billobard Hot 100, e um dos primeiros vídeos a atingir a marca de 1 BILHÃO de views no Youtube), foi construída em cima de outro hit de autoaceitação, Brave, da cantora Sara Bareilles. A música é uma slowbuilder, com um refrão explosivo e curiosamente orgânica. A faixa seguinte, "Legendary Lovers" têm um toque oriental e é uma das melhoras músicas da carreira de Katy (é imperdoável o fato de a mesma não tê-lo lançado como single) e mostra que a mesma continua sendo uma das mais habilidosas compositoras do estilo storyteller. A terceira música, "Birthday", é um funkpop que lembra bastante a sonoridade do Teenage Dream, quase uma "Last Friday Night" 2.0 e têm uma sonoridade festiva e alegre. A quarta música, "Walking On Air" é um espetáculo a parte: baseada em música house dos anos 90 e com um coral gospel, a música tinha tudo pra ser um mega hit, e têm um dos melhores vocais da carreira de Katy, sendo completamente contagiante. Pure Pop Perfection.
Em seguida, "Unconditionally", uma das melhores baladas de Katy, escolhida como segundo single do disco, tem uma construção bem oitentista, mas com todo o frescor de produções modernas. Em parceria com o rapper Juicy J, Katy lançou o terceiro single do disco, sexta faixa do álbum, o smash hit "Dark Horse" (#1 na Billboard Hot 100 e sim, o vídeo também atingiu a marca de 1 BILHÃO de views no youtube), com sua um gancho pegajoso e uma de suas letras mais subestimadas, mas ao mesmo tempo brilhantes. O disco segue com "This Is How We Do", que inicia com sintetizadores emulando guitarras, em uma das músicas mais good vibes ever, com direito a referências a Mariah Carey, uma das canções mais divertidas do álbum. Logo após vem "International Smile", mas apesar do título clichê, a música relembra canções do Prince ou do Teenage Dream, da própria cantora, e têm uma das melhores produções do disco. A faixa "Ghost" é uma canção de pop/rock camuflada sobre uma aparência de Synthpop, e remete de uma forma mais madura (mas ainda assim dolorosa) o término com seu ex-marido. Em "Love Me", a cantora fala sobre amor próprio (alguma surpresa?). A frase "I'm gonna love myself the way i wanned you to love me" é autoexplicativa. Produção midtempo, mas super competente.
Dando sequência ao set de baladas, segue"This Moment", falando sobre aproveitar o momento, de forma bem nostálgica, e inspirada diretamente em hits pop dos anos 80, acenando para o trabalho de bandas como Duran Duran e Roxette. A faixa seguinte, "Double Rainbow", foi produzida/escrita em colaboração com outra gigante do pop, Sia, mas ao invés da explosão dark costumeiramente ouvida, apostou na implosão. O disco se encerra com a música quase gospel, "By The Grace Of God", que discorre sobre seu caminho tortuoso, emocional e psicologicamente, até aquele momento de sua vida. A música é um hino anti-suicídio e é a forma mais bela de encerrar o disco. Menção honrosa a faixa bonus, "Spiritual", que deveria definitivamente ter sido inclusa no disco, dado a sua produção pop/rock audaciosa e brilhante.
Apesar de não ter vendido tanto quanto o Teenage Dream, Prism é o disco mais bem elaborado e organizado da carreira de Katy Perry e é um excelente cartão de visita para quando alguém, no futuro, quiser ser apresentado a mesma, por equilibrar corretamente toda a sua acessibilidade e brilhantismo pop e algumas de suas melhores composições da carreira. Prism legitimou o status de Katy Perry como um ícone da música pop do mais alto calibre, e vale a pena reconhecê-la como tal. Sem dúvidas, um dos melhores discos de pop da última década.
OUÇA: Walking On Air, Legendary Lovers e Ghost.



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