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Iggy Azalea - In My Defense (2019)

  • Foto do escritor: Bruno Fernandes
    Bruno Fernandes
  • 11 de fev. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 16 de fev. de 2020

Violência. É o que exala a capa, a sonoridade e as letras do segundo álbum da rapper australiana Iggy Azalea. Tanto quanto foi a forma extremamente violenta com que tentaram obliterar sua carreira musical. Aconteceu muita coisa entre o lançamento do disco de estréia, The New Classic (2014), e seu segundo álbum. Iggy colheu o melhor ano de sua carreira, emplacou diversos hits, solo e em participações com outros artistas (Jennifer Lopez, T.I., Britney Spears, etc...) e fez uma turnê de muito sucesso. Foi aí que as coisas começaram a desandar. Exatamente em um momento onde assuntos a respeito de apropriação cultural começavam a emergir nas discussões populares, diversos "internautas", instigados por rappers como Nicki Minaj e Azealia Banks (visivelmente incomodadas com o fato de uma rapper, branca, estar fazendo sucesso, e por isso tecerem críticas mordazes a mesma) partiram a uma verdadeira caça as bruxas, tornando Azalea seu bode expiatório. A nuvem de hate foi tão grande, que Iggy foi forçada a se retirar do cenário por um tempo, para descansar sua imagem, rendendo posteriormente a perda de seu contrato com a Interscope.

Não foi senão em 2016 que Iggy retornou ao mercado com "Team", sendo o carro chefe do que então seria seu segundo disco, "Digital Distortion", que apesar da sonoridade audaciosa, não rendeu um grande retorno, como era esperado. Após diversos atrasos, o disco foi cancelado, e aparentemente a carreira de Iggy estava agora na geladeira. Nos anos seguintes, após lançamentos de alguns singles avulsos, inclusive "Switch", em parceria com a brasileira Anitta, Azalea se separou de vez das grandes gravadoras. Agora uma artista independente novamente, Iggy se uniu ao produtor J. White Did It e deu início a construção de seu derradeiro segundo álbum.


Se em The New Classic conhecemos Iggy como uma aspirante a estrela e eventualmente alguém que chegou lá, o retrato em In My Defense não poderia ser mais autobiográfico e direto. Após enxurradas de críticas e tentativas de sabotagem, Iggy ressurge mais desafiadora, feroz e autoconsciente do que nunca. Ela perdeu algumas batalhas, mas está pronta pra vencer a guerra. O disco começa em auto e bom som com "Thanks I Get", uma de suas faixas mais brilhantes de todas, mostrando como a mesma se sente após abrir a porta para diversa garotas na indústria e ser acometida por grande ingratidão em troca. Em "Started", Azalea deixa bem claro que, ela sabe que veio de baixo, está curtindo seu momento e não têm por quê pedir desculpas por isso. "Sally Walker", apesar de uma aparente levianidade, fala sobre respeito, compreensão e tolerância. Na debochada "Clap Back", Iggy deixa claro que, não importa a problemática, a mesma não vê problema em bater de frente, e ela pode fazer isso "o dia todo". As faixas mais pop do disco, como Hoemita (relembra o rap sulista estadunidense), Big Bag e Just Wanna, mostram que, apesar de uma exímia rapper, Iggy pode nos servir pedrada após pedrada.


A sonoridade do disco se encaixa perfeitamente na capa do disco: áspera, ácida e violenta. Transitando entre o industrial e o trap, Iggy achou uma nova imagem musical, sem abandonar sua autenticidade. Em Defesa de Iggy, ela é e sempre será uma das rappers mais interessantes de todas, simplesmente pelo fato de se recusar a caber me uma caixinha ou se deixar calar. Go girl, do your thang!


OUÇA: Thanks I Get, Started e Sally Walker


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