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Harry Styles - Fine Line (2019)

  • Foto do escritor: Bruno Fernandes
    Bruno Fernandes
  • 2 de fev. de 2020
  • 3 min de leitura

O crescimento artístico de Hary Styles ao longo da década é impressionante: O cantor passou de um mero membro de uma boyband, One Direction, para um respeitado artista solo, transitando entre a cena pop mundial e a cena alternativa, e mostrando ser mais que um rostinho bonito, mas, antes, um excelente cantor, compositor e instrumentista. Embora, em certos detalhes em sua estadia como membro de sua antiga banda, indicassem que o cantor teria certa inclinação para o folk/rock, como em Story Of My Life e You & I, foi em seu primeiro disco solo, autointitulado, de 2017, que o cantor despontou de vez. O disco é totalmente conduzido pela sonoridade folk/rock/pop, lembrando o trabalho de grupos como Mumford & Sons. Quando se anunciou seu single de estréia, 'Sign Of The Times', fora dito que seria uma grande canção de rock, que faria sucesso em qualquer época, houve certo ceticismo a cerca da declaração, mas assim que a faixa saiu, ficou provado se tratar de um verdadeiro clássico. A música atingiu posição #4 na Billboard Hot 100 e #1 no UK, além de se tornar um hit mundial, atraindo comparação com artistas como Coldplay, David Bowie, Beatles e diversos outros. Tudo isso, preparou o terreno para seu segundo disco, Fine Line.


Se seu disco estreia foi apenas uma porta de entrada, Fine Line escancarou de vez: Harry Styles saltou de estrela em ascenção, para um nome sólido. Apesar de, a fase em que a indústria está vivendo, onde o rap e o hip-hop estão no protagonismo e o pop/alternativo cada vez mais em declínio, Styles lançou um disco completamente sólido, e mesmo sem emplacar nenhum grande hit nas rádios (seu maior pico foi o single de estréia, Lights Up, #17 na Billboard Hot 100 e #3 no UK), vende consideravelmente bem, tendo, até o momento em que escrevo esse post, mais de 1 milhão de cópias mundialmente vendidas. O álbum foi comparado com o trabalho de nomes como Prince e David Bowie. É notável que o cantor assine como compositor em todas as faixas do disco, assim como no disco anterior, alo cada vez mais raro na indústria atualmente.


A faixa de abertura é a cativante 'Golden', com uma vibe que lembra o britpop de grupos como Blur e Oasis, e uma produção que torna extremamente agradável as camadas de vocais e destaca cada elemento da música. A trinca de músicas que se segue daí, 'Watermelon Sugar', 'Adore You' e 'Lights Up', todas lançadas como singles, são das mais acessíveis do disco, com um pop maduro e incrivelmente bem elaborado, remetendo ao pop nos anos 70/90. Fugindo agora da ordem do disco, é deveras impressionante a gama de estilos contidos no disco, e como ele é harmonioso. 'Treat People With Kindness' traz o melhor do Queen, enquanto 'She', poderia facilmente ser mais um hit no cabedal de Elton John ou Stevie Wonder. As faixas com inspiração em folk continuam intactas, como em Cherry, To Be So Lonely e Canyon Moon, todas com qualidade excelsa. Ainda há a balada solo ao piano em 'Falling', e 'Fine Line', que soa como uma música do Vance Joy. A música 'Sunflower, Vol 6' tem flertes com o reggae e outros ritmos tropicais.


O mais interessante é que, apesar de o disco acenar para diversos artistas, ele não soa como uma imitação, mas como se Styles transliterasse suas influências através de sua própria lente. O resultado é um disco pop de qualidade excelsa e com aquele gosto de clássico instantâneo. Só resta a curiosidade de ver o que mais Harry Styles produzirá no decorrer da década. Se ele continuar com trabalhos desta estatura, será só caminho acima.


Ouça: Watermelon Sugar, Golden e She.


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