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Halsey - Manic (2020)

  • Foto do escritor: Bruno Fernandes
    Bruno Fernandes
  • 12 de fev. de 2021
  • 3 min de leitura

Em seu terceiro álbum de estúdio, 'Manic', a cantora/compositora americana Ashley Nicolette Frangepine, ou mais conhecida como Halsey, solidifica minha percepção sobre a obra dela até então: Uma artista extremamente promissora, mas que infelizmente, não consegue deixar de ser uma promessa.


Quando surgiu na cena indie pop em 2014, Halsey se estabeleceu como uma estrela em ascenção, e cada um dos seus novos lançamentos eram aguardados com grande expectativa, uma vez que muitas de suas ideias pareciam interessantes. 7 anos depois, e apesar de ter emplacado vários hits, a cantora ainda não conseguiu se estabelecer como um nome imponente na cena, ou um 'household', como o termo geralmente é empregado. O que é um tanto frustrante, uma vez que, muito de seu material têm influência de artistas como Alanis Morissette e Brand New. A impressão que fica é que as diversas tentativas de "comercializar" o produto final, resultou em perder um pouco de sua marcante personalidade como compositora. Entretanto, sigamos para a review:

Com a produção assinada por nomes como Cashmere Cat, Finneas, Benny Blanco, Greg Kurstin e outros, ao longo de 16 faixas, Halsey transita entre pop, rock, country, r&b, trip-hop, folk e mais, em letras que falam sobre crescimento, bipolaridade, depressão, auto análise e outros temas. Um retrato autobiográfico de uma bagunça juvenil tentando assimilar o mundo ao seu redor.

E isso resplandece em faixas como "Ashley", "Clementine" e "929".


As desventuras amorosas da cantora também aparecem em faixas como a Country "You Should Be Sad" ou na fortemente influenciada por hip-hop "Without Me", e são, sem exagero, algumas das melhores canções do INTEIRO repertório da Halsey. Não atoa, ambas foram lançadas como singles.

Faixas climáticas como "More" e "Forever (Is a long time)" dão espaço para que a voz de Halsey brilhe durante as performances. Entretanto, o verdadeiro triunfo do disco é a música "Graveyard", onde Halsey permite que suas habilidades como compositora se destaquem. A letra fala sobre relacionamentos tóxicos e autodestrutivos, como se a pessoa não percebesse que aquilo a estava levando para um caminho sombrio, emocional ou fisicamente falando.


"Oh, it's funny how

The warning signs can feel like they're butterflies"


O pop rock sútil de 3AM é um desfile de confusões adolescentes de proporção cinematográfica. E é um acerto maravilhoso, em versos como:


"Cause it's 3:00 a.m.

And I'm callin' everybody that I know

And here we go again

While I'm runnin' through the numbers in my phone"


A esperançosa "Finally/Beautiful Stranger", mostra que, apesar dos romances tortos e decepções, ainda é possível acreditar no amor e num relacionamento frutífero, feliz. Uma das baladas mais comoventes feitas por ela.


Outras faixas do disco são bem questionáveis. O "semi reggaeton" de "Still Learning" meio que tira o impacto da letra. faixas como "I Hate Everybody" e "Killing Boys" tentam passar como juvenis, mas na verdade, soam bobas. Só, bobas. E claro, as infames interludes, aonde a Halsey permitiu que três artistas que ela admira, como Alanis Morissette, Suga (do grupo de Kpop BTS) e Dominic Fike, que na verdade, simplesmente não acrescentaram NADA de significativo para o disco.


Alguns problemas do disco seriam facilmente corrigíveis, caso houvesse um filtro mais rígido na execução das ideias. Por exemplo, as 16 faixas realmente eram necessárias? Um disco mais enxuto e objetivo seria mais útil. As interludes serviram mais como pontos detratores para o disco. E isso sem contar o desperdício de uma faixa como Nightmare (lançada como single avulso em em 2019), que ficou perdida na divulgação do disco e sequer entrou para o corte final, mesmo sendo uma das melhores músicas já feitas pela Halsey, onde a influência do rock é vista com maior nitidez. Talvez, se seu time não perdesse tanto tempo tentando mercantilizar a Halsey, teríamos acesso a um material mais brilhante e genuíno.



O disco foi lançado bem no começo da pandemia, o que prejudicou seu desempenho, mas, eventualmente o álbum atingiu 1 milhão e 300 mil cópias, um feito digno de elogio. Em circunstâncias normais, mesmo com os erros de divulgação, o disco poderia alcançar a faixa de 4/5 milhões de cópias. Por exemplo, o carro chefe do disco, "Without Me", chegou ao #1 na Billboard em 2017, três anos antes de o disco ser derradeiramente lançado. A gravadora pecou muito quanto ao timing dos lançamentos.


Em resumo: Manic é o melhor disco da carreira de Halsey até agora. O que não significa que é um disco impecável. Quando ele acerta, acerta com vontade, mas quando erra, erra em mesma proporção e intensidade. No entanto, ficamos sempre na expectativa de que um dia a cumprirá a promessa, e entregará trabalhos mais inspirados, a altura do potencial que ela têm.


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