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Dagny - Strangers/Lovers (2020)

  • Foto do escritor: Bruno Fernandes
    Bruno Fernandes
  • 8 de fev. de 2021
  • 4 min de leitura

"Paciência é uma virtude", já dizia o ditado popular. E que gestação difícil! Estando na indústria desde 2016 e tendo lançado simplesmente algumas das melhores canções pop da década passada, a estrela do Indie pop Dagny finalmente lançou seu disco de estréia, o estelar "Strangers/Lovers".


Escolher deixar fora do disco de estréia as canções que a popularizaram, foi uma decisão arriscada e muito corajosa, mas isso só mostra o quanto a cantora/compositora estava confiante na qualidade e sustentabilidade das canções. Exatamente, NENHUMA das canções do período de 2015-2019 constam nesse disco. Para os fãs e apreciadores, fica a nostalgia. Mas o resultado não é nada menos que recompensador.

De forma simples, o conceito do disco consiste em uma narrativa sobre o que faz alguém se apaixonar (correspondendo as primeiras 6 músicas), a descoberta do ser amado, e os eventuais desdobramentos, como o possível "felizes para sempre" ou alguma desventura amorosa (correspondendo as últimas 6 músicas).


O disco começa com uma verdadeira supernova oitentista em "Come Over" (primeiro single do disco). Mais uma adição ao repertório brilhante da artista, a cantora fala sobre a montanha russa de emoções que envolve encontrar e se apaixonar por alguém e estar ansiosa para reencontrar essa pessoa, através de deliciosos versos como:


"Eu continuo voltando a quando eu pus meus olhos em você. Por que desde então você têm estado na minha mente. Você me olhou daquele jeito e eu subitamente me senti nova. Agora eu estou assistindo meu celular até tarde da noite"


A segunda música, e segundo single do disco, é a fantástica "Somebody", que fala sobre aquele sentimento de conexão íntima, um daqueles momentos que só acontecem uma ou duas vezes na vida, de achar alguém especial. E claro, que batida pegajosa!

"Paris" aposta numa sonoridade mais downtempo, que vai crescendo aos poucos, e lembra muito o pop/r&b dos anos 90, mas com o frescor da produção moderna. A música fala sobre um amor fácil, simples, sem grandes ambições ou necessidade de bens, de que o bem mais valioso que ambos têm é a companhia um do outro. E isso basta.


Em "Let Me Cry" Dagny fala sobre um ponto muito necessário numa relação: transparência e intimidade emocional. Sobre a necessidade de se confiar e ter no seu parceiro um lugar de refúgio, e um estar ali para amparar o outro, e não ter vergonha de se admitir quando não está bem.


Apesar do título parecer um espécie de trava língua, "Coulda Woulda Shoulda" está longe de ser complicada: A música fala sobre não ficar se atormentando com os erros do passado. "Eu vou deixar o passado ser passado". E faz muito bem.


"Há sempre algo pra concertar, não têm?

Há sempre algo que você fez, e eu pensar nisso.

Há sempre alguém que você sente falta né?

Sempre tem algo que você deveria, poderia, teria..."

O epicentro do disco acontece em "Tension", que fala justamente sobre aquele momento em que, um dos dois têm que quebrar a tensão do "óbvio" e fazer aquela transição de estranhos para amantes, de "só gostar" para "algo mais". E a atmosfera da música captura bem essa sensação.


"Moment" fotografa justamente aquele instante em que você percebe que ama alguém. Como aparece no refrão: "eu acho que tivemos um momento, que vamos lembrar quando envelhecermos, e rindo do momento em que eu te disse: nós nunca estaremos sozinhos a partir desse momento"


Com influência da música flamenca, uma das músicas mais ligeiramente dramáticas do disco, "Please Look At Me", fala sobre quando um dos membros da relação está passando por um distanciamento emocional, e a outra pessoa está tentando chamar a atenção do parceiro. E é aqui que a gente percebe que há algo de errado acontecendo. Estava tudo bom demais pra ser verdade, como assinala a interlude "Bad at Love". E, muitas vezes ocorre dessa forma num relacionamento, o distanciamento emocional, seguido de problemas e atritos.



Então têm início "It's Only A Heartbreak", terceiro single do disco, que faz você querer dançar enquanto chora. A letra fala sobre as fases que uma pessoa passa no processo de superar e tentar seguir em frente após um término. Sobre "se manter ocupado, pra nem ter tempo de pensar em você (na pessoa)" e, segundos depois "quando vejo você, fico feliz que ninguém pode ler minha mente". Esses sentimentos confusos de querer superar, mas ainda amar o seu/sua ex.


Outra explosão oitentista vêm com a música "Bye Bye Baby", uma continuação direta do tema de "It's Only a Heartbreak", onde a personagem demonstra que, definitivamente está decidida a seguir em frente e "agora só quero te deixar pra trás".



O álbum termina com "Coast to Coast", que além de comprovar que a Dagny é uma cantora de folk disfarçada de pop, encerra o capítulo falando sobre uma espécie de "final alternativo" da narrativa do disco. Pode ser interpretada como a busca pelo amor, seja por um novo ou antigo amor. E como, todos nós, continuamos a procurar por ele "de costa em costa, maré após maré".


Confesso que achei o disco curto, ainda mais, sabendo que, conforme a própria Dagny disse, ela teria composto mais de 60 músicas para o álbum. Entrementes, o disco permanece coeso, consistente e muito, muito divertido. Resta aguardar futuros lançamentos.


"Strangers/Lovers" provou que a espera valeu a pena. Caloroso e vibrante, em menos de 40 minutos, Dagny fala sobre um assunto tão rotineiro quanto o amor, mas consegue dar um brilho totalmente novo a esse tema, que nos faz, novamente, nos apaixonar pela sua impecável produção.



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