Brand New - Science Fiction (2017)
- Bruno Fernandes

- 1 de fev. de 2020
- 2 min de leitura
Em seu quinto álbum de estúdio, a banda americana de rock alternativo Brand New, nos presenteia com um dos discos mais densos e pungentes de toda a década, acumulando uma nota de 88% no Metacritic, indicando aclamação universal. E não é pra menos. O disco evoca o melhor a melhor fase do grunge, mas, em momento algum soa como uma cópia ou repetição; Pelo contrário, se o disco tivesse sido lançado à época, seria um pário duro.
Um dos aspectos mais interessantes do disco, é que ele foi idealizado como um nonstop, ou seja, um disco contínuo, sem grandes pausas entre as canções. interludes, fragmentos de discursos e passagens instrumentais conduzem o disco, de faixa por faixa, sem perder a atmosfera densa e vulnerável do disco. O álbum aborda os mais diversos temas, como saúde mental, mortalidade e críticas a religião institucionalizada. É como se colocasse o ouvinte dentro do cenário em que o disco foi escrito, uma seção de terapia coletiva.

A primeira faixa, Lit Me Up, começa de fato após 2 minutos de um diálogo, realmente construindo lentamente uma tensão. A música é uma slowbuilder, cativando o ouvinte a cada audição. O grande hit do disco, é a faixa explosiva Can't Get It Out, que resume bem a ideia do disco e dá grande tom de humanidade à obra inteira. A próxima música, Waste, evoca o melhor do repertório de Pearl Jam, e não fica devendo, em nada. Could Never Be Heaven, quarta faixa, é uma balada acústica, e é certamente uma das mais comoventes de todo o disco. Same Logic/Teeth é uma das faixas mais pesadas, com um drive nos vocais em dados momentos da música, e uma virada de tom completamente arrebatadora nos momentos finais da música. Na música seguinte, 137, a banda aposta novamente numa slowbuilder, construindo a música de pequenos arpejos e sim, o impactante refrão "Let's all go play Nagasaki, We can all get vaporised", além do solo de guitarra extremamente hábil.
Fugindo agora da ordem das músicas, destaco No Control e Out Of Mana como algumas das mais pesadas e straight forward do disco, diretas ao ponto mesmo. Ainda há as músicas que flertam com o folk rock, como In The Water e Desert. Apesar da produção, 451 poderia facilmente ser uma música de grupos como Ministry ou Marilyn Manson. A faixa de encerramento do disco, Batter Up, nos deixa um um pequeno fio de luz no fim do túnel, um momento de otimismo, mandando a mensagem que, não importa o quão tempestuosa seja a noite, uma hora o sol voltaria a aparecer.
Brand New é certamente um dos discos mais bem elaborados, humanos e vulneráveis de toda a década, e é o tipo de disco que incita transformações silenciosas na cena alternativa. E um sinal de alerta a respeito da seriedade de assuntos como saúde mental nos dias atuais.
Ouça: Can't Get It Out, Same Logic/Teeth e Could Never Be Heaven.



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