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LISTA: Ney Matogrosso em 15 músicas

  • Foto do escritor: Bruno Fernandes
    Bruno Fernandes
  • 21 de jan. de 2021
  • 6 min de leitura

MARAVILHOSO! FANTÁSTICO! Elogios não faltam pra descrever este que é um dos mais emblemáticos artistas a pisar nos palcos do mundo. Afinal, chegar aos 79 anos, e 48 de carreira, carregando espetáculo atrás de espetáculo e hit atrás de hit com a tenacidade e ousadia que este ser têm, não é tarefa pra qualquer um.


Começando como parte da banda Secos & Molhados (Inclusive, há uma resenha sobre o primeiro disco da banda aqui no blog) e depois saindo em sua meteórica carreira solo, Ney se tornou o maior exemplo nacional do que é ser um SHOWMAN no sentido pleno da palavra, sendo um exímio cantor, ator, dançarino e diretor, capaz de despertar no público as mais selvagens e ternas impressões. Saiu em defesa dos direitos dos negros, índios, mulheres, e diversas minorias, sendo um porta voz desses grupos, em plena época da ditadura. Um dos primeiros a entender o mercado e utilizar as mídias existentes como plataforma de lançamento (constantemente estreava seu material em novelas, no Fantástico ou nos Trapalhões; se houvesse YouTube, saberia como movimentar as massas como ninguém). Transitando entre os mais diversos gêneros musicais, como rock, jazz, pop, MPB, samba, forró, bossa nova, experimental, salsa, entre outros, é dono de um acervo musical de causar inveja.




Aqui estão reunidas 15 canções para celebrar e entender a obra e proposta do matogrossense:


#1 Homem com H


Essa talvez seja a canção mais facilmente reconhecida de Ney. A música chave do seu repertório, e que o colocou em um outro patamar na música brasileira, o consolidando definitivamente. Lançado em 1981, esse forró composto pelo paraibano Antônio Barros, tomou as rádios do Brasil por assalto. Curiosamente, a princípio Ney não pretendia gravar a música, mas acabou convencido por Gonzaguinha a fazê-lo, e ainda bem que o fez. Ela não funcionária com mais ninguém.


Inicialmente, era uma revalidação da clássica figura masculina do século XX. Mas, na voz de Ney, a coisa muda de figura, e se torna uma crítica ao status quo, ao arquétipo pré estabelecido de hombridade. Afinal, o que é ser homem? A poligamia? A agressividade? Ser impulsivo? Ou a honestidade? A honradez? O respeito para com o próximo? Se for a segunda linha de raciocínio, Ney é de fato, muito homem (o cantor é homossexual assumido), mais do que muitos que carregam de enfeite, os privilégios por entre as pernas, e que distorcem o significado de "Ser Homem".


#2 Sangue Latino



A música que fez os Secos & Molhados se tornarem um fenômeno internacional em 1973 e apresentou Ney Matogrosso ao mundo. Com sua linha de baixo imponente, ritmo calcado no sertanejo e uma letra que fala sobre a experiência de ser latino naquela época específica, a banda arrebatou multidões. Discorrendo sobre "quebrar a lança", ou seja, os estereótipos a cerca da latinidade, a música serviu como um grito de liberdade, de auto conhecimento como pessoa no mundo, "um grito", "um desabafo", naquele período sombrio, em plena ditadura. O que nós importa, no fim de tudo, "é não estar vencido", pelo medo, pela insegurança ou o que quer que seja.


#3 Homem de Neandertal


A semente que germinaria em "Homem com H", na verdade foi plantada nesse rock experimental de seu primeiro disco solo, Água do Céu - Pássaro, de 1975. Entre ambientações com sons de florestas, pássaros e macacos, Ney se impõe, grandiosamente, berrando: "EU SOU UM HOMEM DE NEANDERTAL!" Ao que a letra complementa: "catando caramujo na beira do rio. Eu vivo apenas com meus próprios meios. Eu vivo apenas com meus sentimentos. Nasci de um povo primitivo". A temática é similar. Somos, mesmo, tão diferentes destes "selvagens" retratados como criaturas da pré história? Abra qualquer jornal ou assista qualquer noticiário. As "guerras tribais" só adaptaram paus e pedras para armas de fogo e nucleares. No fundo o homem ainda tropeça em conviver com "seus sentimentos" ou de recusar a carregar os fardos das tradições dos "povos primitivos".


#4 Rosa de Hiroshima


Outro grande hit dos Secos & Molhados, também do disco de 1973, esse poema de Vinícius de Moraes se tornou um verdadeiro sucesso e foi eternizado na voz de Ney. Embalada por um belíssimo violão e flauta, a letra fala de forma poética sobre os trágicos acontecimentos do bombardeio de Hiroshima. "Só não se esqueça da rosa, da rosa, a rosa de Hiroshima, a rosa hereditária". Lembrar, para que algo tão triste assim não volte a se repetir.


#5 América do Sul


Mais atual do que nunca, América do Sul foi um dos hits do primeiro disco solo de Ney, e traz os icônicos versos: "Deus salve a América do Sul! Desperta, Ó claro e amado sol!". A música fala sobre o orgulho de ser latino americano, da necessidade de se celebrar os pontos da nossa cultura, o que faz com que Nós sejamos Nós, em nossa riquíssima construção como povo, sem medo de abraçar o futuro. E quão importante isso é nos dias de hoje, aonde parece que a educação falhou gravemente, em um país aonde a maioria das pessoas desconhece as próprias riquezas, artísticas, literárias e culturais. "DESPERTA AMÉRICA DO SUL!".


Curiosidade: Essa música foi a primeira a ser apresentada no Rock In Rio, e a primeira faixa de Ney no evento. Bem simbólica, tanto a escolha da faixa como a de Ney para abrir o evento, a saber, um momento em que o Brasil deixava de ser "mato" na agenda mundial e passava a se impor como nação. E ver o Ney vestido de índio nessa apresentação é impagável.


#6 Mulher Barriguda



Também do disco de 1973, Mulher Barriguda exala a influência dos Beatles num rock contagiante. A letra? Fala sobre as preocupações de uma mãe ao saber que está grávida de um menino: "O que será ele quando crescer?" "Haverá guerra ainda?". Um contraste simplesmente fantástico.


#7 Mal Necessário


Lançada em 1978 no disco Feitiço (quarto álbum solo), Matogrosso emplacou esse smash hit. Sua primeira Power Ballad, que também marcou a primeira vez que usou seus tons graves de forma tão extensa. A música fala sobre a coexistência dos nossos defeitos e qualidades ("sou a sua voz que grita, mas você não aceita") e a dificuldade em lidar com ambos.


#8 Bandoleiro


Outro mega hit saído do disco Feitiço, onde Ney aposta numa mistura de Fado e Rock. Com uma letra bem fantasiosa (algo que poucos artistas conseguiriam executar com tanta segurança e seriedade, sem soar banal), o cantor entoa versos como "Eu, Bandoleiro, No meu cavalo alado, na mão direita o fado, jogando sementes nós campos da mente". Total Entertainment Forever!


#9 Bandido Corazón


A faixa que foi o carro chefe de seu segundo disco solo, Bandido (1976), foi um grande sucesso. Escrita por Rita Lee, a música flerta entre o rock e a música latina/espanhola. Na época, Ney tinha criado uma persona que era uma mistura de cowboy latino, e essa música só fez dar mais vida ao personagem, fazendo o projeto alçar vôo.


#10 Coubanakan



A música foi um dos hits do primeiro disco solo, e foi a primeira vez que uma música latina fez sucesso na voz de Ney. A música fez parte da trilha sonora de uma novela de mesmo nome, e ajudou a expandir os horizontes de Matogrosso, que agora produzia peças cada vez mais divertidas.


#11 Seu Tipo


Versatilidade, amor. Em 1979, Ney deu um dos passos mais audaciosos e arriscados de sua carreira: produzir um disco mais convencional. Na verdade, isso mostra o quão bom estrategista ele é. Depois de 4 shows escandalosos (Homem de Neandertal, Bandido, Pecado e Feitiço) sua imagem estava um pouco gasta. Ao apelar para um disco mais pop, suave e leve como "Seu Tipo", ele revigorou sua carreira e passou a ser visto como um grande cantor/intérprete, e ganhou mais credibilidade em seus projetos. A faixa título, é um jazz pop provocante e romântico, que "vai fazer rolar de prazer o seu coração".


#12 Pro Dia Nascer Feliz



É impressionante ver o quanto Ney produziu em apenas uma década. A quantidade de reinvenções que ele teve de 1973 até 1983 são de deixar David Bowie e Madonna com o queixo no chão. Superlativo. Nessa fase de sua carreira, ele havia começado a explorar a vertente de New wave/rock nacional que estava fazendo sucesso, começando com o disco "Pois é". À época, ele gravou essa música, composição de Cazuza (seu affair) e o resto é história. Sim, foi através desse empurrãozinho que a carreira de Cazuza decolou. Um ode a juventude.


#13 Poema


Essa letra do Cazuza foi encontrada por sua mãe por acaso, e posteriormente apresentada a Frejat. Depois de muito trabalho para tentar musicar esse poema, ele só pensou em uma pessoa para dar vida a essa preciosidade: Ney Matogrosso. Lançada em "Olhos de Farol", de 1999, a música foi um grande hit nas rádios, e até então o último verdadeiro hit mainstream da carreira de Ney. Sua letra fala sobre a intensidade e brevidade da vida


#14 Amor Objeto


Lançada como segundo single do disco auto-intitulado de 1981, essa composição de Rita Lee e Roberto de Carvalho, foi revestida de um pop delicioso e viciante, bem anos 80, com uma das entregas vocais mais cativantes de Ney. Dançante e doce, não é de admirar que tenha feita tanto sucesso.


#15 Pedra de Rio

Apesar de não ter sido lançada como single, Pedra de Rio, composição de Lulih e Lucina, é uma das melhores músicas já gravadas por Ney. A faixa é do disco Água do Céu - Pássaro. Com apenas um violão, uma flauta e ambientações, discorre sobre a morte, perdas e sobre permanência. O que, de fato, permanece das interações humanas?


"Beijo a testa Afago a morte encurvada Cansada de tanto tempo viver

E no meu rio Rio de pedra navego Meu barco voa sem vela Rio e navego sozinho

Perdido rio De você, ah meu rio Você é meu rio E eu, pedra de rio"



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